sexta-feira, 15 de abril de 2011

...o tempo passou e nos transformamos em adultos, quem dera que fossemos crianças para sempre. Com a idade vem o amadurecimento, as responsabilidades, os músculos se enrijecem e até o sorriso muda. Ninguém nasce racista, homofóbico, egoísta ou qualquer outra coisa, nossa sociedade que é culpada por criar ainda mais estereótipos e preconceitos. Nascemos todos inocentes, todo o resto são valores mesquinhos.
Por mais que não tenhamos o costume de fazer declarações de amor, saiba que mesmo não acontecendo isso, meu sentimento existe, é grande, e eterno.


(Trecho da carta entregue a meu irmão hoje)

sábado, 2 de abril de 2011

Consciência Cósmica



Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir, se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...


João Guimarães Rosa

quarta-feira, 30 de março de 2011

Amor não é metáfora



Sim, estraguei os sapatos.
estraguei as mãos com os cactos,
os lábios com o frio
Tanto desencanto
Tudo morre num minuto

- amor não é metáfora

quarta-feira, 23 de março de 2011

A terceira margem da palavra

Não meu amigo, não coloque a cara na porta
Os humanos são desmedidos
Condenados, enquanto que ninguém
Declara culpado
Não meu amigo, não durma em paz
A noite não se faz gentil
Para aqueles que sentem frio
E são posto à margem.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Naufragar




O rio que corre ao fundo segue para as águas do mar
Pois a terra ufana deu-lhe um lugar distinto
Mas a verdade é esta, esta e não outra
E não há, nem há fraqueza, ou triste covardia
Há desejo real de concluir mais um dia
E seu desaguadouro atro, há de clarear com o amanhã
É inútil resistir, com seu barquinho de papel
Tem que ser forte
Por que o vento leva, a tempestade chega, a chuva molha, o rio enche
Farei o que puder
E creio que me foi dado
Fazer muito
O caso é que eu seja utilizado
O dom de transformar-me, à vontade, a meu gosto
O rio não muda o mar
Nem tampouco o mar seu leito
Nem reconhece seu novo afluente.
Não vos julgo toda a culpa
Tornou-se neste mundo um singular composto
E agora, de que vale o fundo?
Vai o tempo chuvoso
Contra a suprema raiva e a cólera maior
Põe água na fervura, uma dose de amor
Não te lembras?
Sem mudar de feições, pode ser...
Sobra-te certezas, mas te falta alma
Que a luz do sol
Ilumine seu mar morto
E se naufragar
Que encontre virtudes
É uma dádiva que o existir, nos confiou
‘Mais que o céu, mais do que a fala
Mais que a água, mágoa, tudo; de asas, nada.’

terça-feira, 1 de março de 2011

E abrindo as asas sobre renovar
Assento sobre os mesmo pés
o céu e à terra.